"Viveu e sofreu tanto a violência que ela se tornou parte dele".
12 Homens e
uma Sentença (1957) (12 Angry Men)
Por Lucas Tavares
DIREÇÃO: Sidney Lumet
ELENCO: Henry Fonda, Lee J. Cobb, Martin Balsam, John Fiedler, E.G. Marshall, Jack Klugman, Edward Binns, Jack Warden, Joseph Sweeney, Ed Begley, George Voskovec, Robert Webber
ROTEIRO: Reginald Rose, baseado em sua peça homônima
PRODUÇÃO: Henry Fonda, Reginald Rose
MÚSICA: Kenyon Hopkins
FOTOGRAFIA: Boris Kaufman
MONTAGEM: Carl Lerner
DIREÇÃO DE ARTE: Robert Markel
Um jovem de
periferia, escorraçado pelo pai desde pequeno, é acusado de ter lhe
assassinado. Uma testemunha diz tê-lo visto entre os trens esfaqueando seu pai.
Outra, um idoso que não consegue andar direito, diz ter ouvido o corpo cair e
correu cerca de 14 metros em 15 segundos para ver o garoto descendo as escadas.
São essas as evidências que culpam o garoto.
Um homem,
Daves, é o único entre os 12 jurados que inocenta o garoto. A decisão do júri é
fulcral, pois decidirá a vida de um jovem de 18 anos. Caso seja culpado, sua
morte será declarada. Mas, Daves, rebatendo todas as evidências consegue abarcar
todos os outros para o não culpado.
| Momento de fúria de um dos jurados na decisão. |
O outro é um
senhor de terno, de óculos, que vai até o fim das evidências até achar uma
dúvida racional. Enquanto 90% era rebatida, ele permanecia nos 10%. Entretanto,
na última que lhe sobrava, percebe haver algo que a fragmentava e, assim, com o
advento de uma dúvida racional, muda de lado. Me lembrou aquelas pessoas à luz
do positivismo, autoconfiança ou até racionais ao máximo, ou até aquelas que
acreditam em uma história e custam desacreditá-la mesmo que tudo que a
fundamenta esteja errado. E ele até possui aqueles estereótipos de racional:
mantém a postura sempre, diz não suar e tudo mais. Não observa o humano
julgado, mas um conjunto de provas que irão decretar uma culpa a algo e ele irá
decidir sobre isso. Mas, como é afirmado no início do filme, ninguém ali é para
pensar nas causas do crime, como o homem é e tudo mais, mas se ele matou ou
não, e o crime é analisado somente no ato de cometer, e não nas razões. É uma
delimitação que abstrai o humano, o social. É a delimitação positivista e banal
do mal. É a despersonalização do outro.
O terceiro
homem é um senhor que afirma até o fim que o menino é culpado. Diz ter um filho
e que não o vê a 3 anos. Por quê? Não sabe. O que sabe é que quando seu filho
era pequeno fugiu de uma briga, e lhe deu belas lições para que se tornasse um
grande homem, e um homem de verdade que não foge de briga. Ao olhar a foto do
menino no fim, chora copiosamente e muda seu voto. Por que o filho abandonou o
pai? O que o pai fez para isso?
Às vezes,
pensamos estar totalmente certos em algo, às vezes temos plena certeza e aquela
pessoa que afirma estarmos errados é descredebilizada. Mas, ao calçar os
sapatos do outro, ao entender o outro, nossos ideais podem alterar, não para
mudar um voto, mas para que possamos sentir empatia pelo outro.
A carga
jurídica do filme é de se impressionar, é o poder de um júri e suas
metamorfoses. É um ótimo filme. Um filme para ser revisto as vezes que quiser.
Recomendo demais.


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