Algumas pessoas podem achar que "filosofar" é algo de gente chata, que fica lendo muito, ou que serve pra nada. Hoje, as ciências humanas em geral são descreditadas, com seus estudiosos construídos no imaginário social como sendo homens com cara de acabado e um violãozinho, ou como os famosos "esquerdo-machos", de ecobag, uma camisa de malha meio aberta, voz lenta e acompanhado com um LP do Belchior ou um boné do MST - e nem vou dizer das ervinhas que deva já estar pensando em adicionar no catálogo.
Porém, para acabar com o desejo de alguns que imaginam a Universidade Pública como sendo uma cracolândia de meninas de cabelo azul ou o curso de História tendo como matéria: "como se bola um baseado", devo dizer que, se hoje você está lendo este ácido artigo, é por causa do "filosofar".
Todos estes esteriótipos citados se devem a tentativas de uma parcela da sociedade em desconstruir todas as teorias que criticavam um determinado regime político ou social. Para um breve recorte do Brasil, os famosos "subversivos" da Ditadura Militar são, em maioria, estudantes de Universidades Públicas ou do Ensino Médio que propunham o fim de um governo construído por meio de um golpe e que se mantinha no poder por meio de tortura, sequestro, morte, e, no âmbito jurídico, esfacelando a constituição e a reconstruindo por meio de Atos Constitucionais - que nada tinha de Constitucional.
A imagem antiga do Filósofo era a de homens nobres, capazes de lidar com situações complexas, sendo políticos ou não, até creditados a serem reis, pela exímia inteligência. A imagem atual do Filósofo foi transformada em um homem de meia idade que vive num cafofo podre que nada faz, um "vagabundo".
Deve se pensar: Como que ocorreu essa mudança drástica? Que, através da imagem e do imaginário social, um campo de estudo de alto valor foi descreditado a algo pobre e fútil, ou longe e inatingível?
Citamos já o papel de crítica que muitos faziam em regimes totalitários. Porém, o principal: uma população que não pensa ou critica é mais fácil de ser manipulada.
Se, na Antiguidade, a civilização foi construída pelos Filósofos, de Heráclito a Aristóteles, a contemporaneidade é forjada pelos meandros do lucro e da mercadoria. Se, antes do advento ideológico da propriedade privada dos meios de produção, o fim útil do homem era a felicidade ou um governo que visasse o bem comum, hoje é o individualismo e a máxima do utilitarismo. Para finalizar, se, até a Contemporaneidade, os filósofos compunham pessoas que, através da crítica da realidade, propunham uma readequação, hoje os ditos filósofos querem reconstruir o presente com os erros do passado - visto Olavo de Carvalho, amado pela Direita, ou os amantes de Stalin.
A Filosofia é a arte do pensar, do refletir e do criticar. É a forma de analisar o hoje, tendo em vista toda a sua construção, a fim de apresentar as contradições ou maneiras de superá-las. Podemos pensar o Ser como um nada a ser construído, sendo a sua essência desenvolvida com o tempo, ou as formas de pensamento e até o ato de filosofar sob véus de manipulação burguesa. Podemos pensar que a Moral e os bons costumes devem conduzir a sociedade, ou que a ética é subjetiva e o que deve governar a política seja o respeito ao Estado Democrático de Direito. Mas, jamais ensejar uma retomada à Atenas, em que a voz era atribuída a uma ínfima minoria, ou aos tempos gloriosos do Império, em que o comércio era enrijecido pela escravidão.
Ao passado ensejamos críticas e ao presente transformação. Nunca mais o meu passado, e para sempre o meu futuro.
Como sendo um apêndice do canal O Filosofar, o presente blog tem o intuito de apresentar resenhas de filmes, álbuns de música, livros e fatos do cotidiano, como também de criticar a sociedade atual, a passada, e propor uma reflexão do por vir através do agora.
Filosofar é a melhor forma de entender o eu e de negar o absurdo ou o violento. Essa é a nossa proposta.