"Apocalipse nos Trópicos"
Comentários sobre o documentário de Petra Costa (2025).
Acabei agora de assistir a esse documentário.
A minha reação está resultada em lágrimas. Águas de um rio sujo, marcado pela poluição da manipulação de um deus justo e solidário.
Quanto mais violenta e desigual é uma sociedade, mais igrejas existem, mais a religião é forte. Esse é um dado reflexo da famosa frase de Marx: "a religião é o ópio do povo". Não porque a religião é ruim. Deus é um elemento essencial para que o ser humano tenha esperança, que ame, faça o bem, seja ser humano. Porém, Deus não age sozinho, Deus não acaba com a violência e nem para guerras. São os humanos que fazem isso. Porém, como trata Feuerbach, "Deus", como elemento, pode irradiar variados conceitos para que pessoas se alienem a determinadas dominações por líderes religiosos. Não é só sobre cristianismo, mas sobre qualquer religião que tenha um centro em "deus".
Crer que tudo se resolve em Deus relega ao destino obrigações que são humanas, como diplomacia, efetivação de políticas públicas e combate à violência. "Religião se torna o ópio" quando o povo atribui a Deus a política e a organização da vida social, sem creditar aos governantes a possibilidade de alterar e mitigar as desigualdades.
"A religião é o ópio" quando o povo acredita votar em Deus ao eleger governantes que dizem cumprir as obras de Deus na Terra: o objetivo é único, o de acumular poder às custas de um povo marcado por injustiças e segregações.
O Deus do amor e esperança inexiste. A política dilapida, propositalmente, a solidariedade. A justiça se torna uma abstração dos livros de direito. A verdade transforma-se na mentira, e a vida torna-se a própria antítese. O jogo vira, para o lado do mais forte.
Pietra construiu mais uma obra prima.

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