Os silenciados devem gritar
No conflito entre Oruam e Polícia Civil, o pobre continua invisível.
No conflito entre movimentos ditos "Antirracistas" e Segurança Pública do Estado, o favelado continua invisível.
No conflito entre alguém que diz "a Favela Venceu" morando em um bairro rico do Rio de Janeiro, a ambulância, o caminhão de lixo e a mulher vítima de violência doméstica continuam no "pé do morro" por causa das barricadas implantadas pelo tráfico.
No conflito entre a esquerda e a direita, a Rocinha, favela do Rio de Janeiro, continua sendo a comunidade em que há 10x maior incidência de casos de tuberculose de todo o Estado (Rio é a cidade brasileira com mais casos de tuberculose registrados no século XXI).
No conflito entre o tráfico e a polícia, quem é o mais prejudicado é o pobre da comunidade.
A favela é lembrada pela pobreza, miséria e violência. O que os ditos "representantes da favela" expõem para a mídia são os estereótipos que reproduzem a necropolítica por parte do Estado. Por que é tão difícil dos movimentos sociais compreenderem que tráfico não é grupo revolucionário, mas grupo criminoso, que prejudica a ascensão da favela e do morador da favela? A Polícia Civil emitiu o mandado de prisão para Oruam por ele ter tacado pedras em policiais civis, como exemplo de um dos crimes. A Polícia Civil investigou Poze e foi atrás dele por vídeos veiculados de criminosos portando civis em um show dele.
A favela é criminalizada devido a uma cultura criada pelos ditos "artistas da favela" que reproduzem os estereótipos racistas que por tanto tempo perseguiram negros e periféricos.
Nada foi dado aos negros que formalmente se livraram da escravidão: tiveram de se refugiar em cortiços e nos morros. O Estado, querendo combater a realidade, produziu diversas leis para legitimar a invasão em favelas para matar e prender pobres inocentes, somente pela sua condição social contrastar com o desejo de "europeizar" o Rio de Janeiro, como, por exemplo, com a Lei da Vadiagem. Hoje, não precisam mais de leis, a própria favela, supostamente carente de repressão, permite a reprodução da necropolítica. A polícia tem um arsenal gigante para invadir comunidades e procurar pressupostos para a emissão de mandados de busca e apreensão genéricos, por exemplo, invadindo casas sem se preocupar com possíveis repressões judiciais.
A realidade não está no G1 ou em funks. Está na vida daquela senhora que precisa de uma ambulância e o tráfico não permite a entrada. Está na vida do policial que deve entrar na favela obedecendo ordens sofrendo o medo de deixar seu filho órfão e sua esposa viúva. A realidade está na vida do jovem que não teve a possibilidade de ter educação pela necessidade do trabalho e do dinheiro, encontrando no crime a opção efêmera de salvar sua família.
O Estado Capitalista, já inerte no cuidado social, aproveita as oportunidades para reprimir e reproduzir a mais-valia... e, infelizmente, os "famosos da comunidade" as fornecem. Só os ricos importam... 30% da massa carcerária aguarda julgamento, e ninguém faz algo...
Enquanto isso, o pobre continua invisível.
Ninguém é mais chato que o sujeito que tem razão...

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